Friday, February 23, 2007
The Grudge - A Maldição 2
O primeiro filme do remake japonês "The Grudge - A Maldição" conseguiu assustar-me verdadeiramente, quando o vi no cinema. E por isso o considero um excelente filme no género (um dos melhores destes últimos 3 anos!). Mas esta sequela, de facto, fica muito aquém da frescura e intensidade a nível de suspense e terror psicológico, do primeiro. É mais do mesmo, como já aqui foi dito, e não vem acrecentar nada de novo, nem dar alguma explicação para o facto da maldição não terminar... Dá-nos umas migalhas, mas depois estraga tudo com um final incoerente e exagerado, fazendo assim com que algumas boas cenas e situações que vimos no início do filme percam força. Não há lógica ou sentido no `ataque` dos fantasmas às personagens, fazendo desta forma com que a história perca coerência e deixed de nos `prender` como acontecia no primeiro filme. A ver pelos amantes do género, mas sem grande expectativa...
Hannibal - A Origem do Mal
Fui esta semana ao cinema para ver o último filme sobre o mais famoso serial killer e um dos maiores vilões da história do cinema - Hannibal Lecter. Não ia com grande expectativa em relação a este filme; primeiro porque não li o livro a partir do qual foi adaptado, mas sobretudo porque já é a 5ª adaptação de um romance com este personagem ao cinema. Esperava mais uma obra sensacionalista e comercial, para aproveitar o filão que o personagem criou na 7ª arte, desde "O Silêncio dos Inocentes" de Jonathan Demme até "Dragão Vermelho" de Brett Ratner... Mas este "Hannibal - A Origem do Mal" surpreendeu-me pela positiva. Porque é um filme com uma realização num estilo mais característico do cinema europeu do que de uma grande produção norte-americana, com certeza devido ao facto do realizador ser Peter Weber (que antes nos ofereceu o lindíssimo "Rapariga Com Brinco de Pérola". E ainda bem... Primeiro, porque já não estando presente Anthony Hopkins (o actor que com o seu imenso talento deu vida ao personagem em 3 filmes, tornando-o um dos melhores, senão o melhor e mais carismático vilão do cinema), os argumentistas e realizador tiveram de criar outros pontos e aspectos de interesse que nos captassem a atenção. Neste caso, trata-se de mostrar parte da infância e adolescência (como jovem adulto) do famoso psicopata, revelando a pessoa que era antes da "transformação" e o que esteve por detrás do "despertar" da maldade e do requinte dos seus assassínios, que tanto o caracterizam. E, na minha opinião, apesar de um arranque lento e pouco envolvente, o filme consegue captar a nossa atenção a partir do início da sua adolescência, quando conhece a sua tia Lady Murasaki (excelente Gong Li, num grande registo de subtileza e sensualidade). Aliás, a relação de Hannibal com esta irá motivá-lo e moldar parte da sua personalidade, no que diz respeito à sua formação a nível cultural e não só... Gaspard Ulliel, parece deixar algumas reservas no início, mas com o decorrer da trama, e sobretudo na cena com a sua 1ª vítima, depressa nos convence de que foi uma boa escolha para desempenhar o papel do jovem Hannibal. As cenas mais violentas são arrepiantes e não são aconselháveis a pessoas sensíveis, mas são de uma beleza estética de encher o olho, pela forma criativa com que foram filmadas. De facto, Peter Weber soube captar o surgimento daquela maldade e vontade de vingança de forma crua e visceral, no encenamento das primeiras mortes que Hannibal pratica com um requinte de malvadez e sadismo extremos, que se lhe tornaram característicos. O argumento é bom e coerente, os cenários bem conseguidos, porque bastante realistas. As interpretações são competentes, com destaque óbvio para Gaspard Ulliel, Gong Li e Rhys Ifans (como arqui-inimigo de Hannibal). Um filme a ver, pela sua consistência, pelos ambientes e sabor europeu que nos dá do personagem...
Pecados Íntimos
O filme captura a nossa atenção desde o primeiro momento, pela forma crítica e mordaz com que nos mostra aquele grupo de donas de casa tipicamente suburbanas a `pregar` sobre a moral e os bons costumes, quando ao mesmo tempo cobiçam e salivam ao avistar um atlético e sensual pai estremoso que leva o filho ao mesmo parque infantil, e com o qual são incapazes de comunicar por terem vergonha de admitir que aquele desconhecido as excita sexualmente (denunciando assim a hipocrisia e falsa moral daquelas mulheres casadas e conservadoras). Esta é só a 1ª cena de um magnífico filme sobre o quotidiano das `vidas privadas` (título em português do anterior filme de Todd Field, o realizador) e públicas de um grupo de personagens, soberbamente caracterizadas psicológica e emocionalmente (suas frustrações, medos, fantasias, desejos e esperanças), para o qual o narrador do filme (aparentemente fora da história) contribui de forma indiscutível, ao dar voz aos pensamentos e emoções, muitas vezes expressas apenas fisicamente nos rostos e corpos dos próprios personagens (sobretudo as de Kate Winslet, Patrick Wilson e Jackie Earle Haley, fabulosos nas suas interpretações). Apesar de todo o restante elenco estar também formidável. O argumento vai-nos envolvendo cada vez mais nas vidas desses personagens, até ao clímax, em que todas elas tomam verdadeira consciência dos seus actos ou falta deles, com momentos de redenção e despertar para a vida belíssimos e intensos... Um pequeno grande filme a descobrir e, sem dúvida, o melhor filme `humano` deste início de 2007.
Tuesday, February 13, 2007
Eragon
Não foi com grande expectativa que fui ver este filme, porque também não li o livro. Mas de facto, apesar de entreter e não ser assim tão mau, o filme tem fragilidades muito acentuadas que fazem com que não passe de um simpático filme de TV de Domingo à tarde. Não se perde nada se não se vir no cinema. O que não acontecia com a inesquecível obra-prima de Peter Jackson, "O Senhor dos Anéis", que só vista no grande écran se podia desfrutar daquela história épica e personagens `bigger than life`, como merece. Aliás, a comparação é inevitável, até porque o mundo fantástico deste filme é bastante próximo do de "Eragon". No entanto, este filme está muito longe da qualidade e dimensão épica e espectacular d`"O Senhor dos Anéis", quase não merecendo ser comparado com essa obra-prima. Os motivos são muitos: o argumento pobre e desinspirado, os personagens com os quais não criamos empatia porque estão mal caracterizados psicologicamente (não somos enquadrados de forma envolvente nos seus destinos e motivações), até à realização linear e fraquinha, tentando muitas vezes, como já aqui foi dito, imitar a perícia e talento de um grande realizador como Peter Jackson, mas nunca chegando sequer perto... Os pontos positivos do filme são efeitos especiais competentes (mas que tb nunca chegam a surpreender, porque não é nada que não tenhamos já visto antes e melhor), sobretudo com o dragão Saphira, que talvez seja o personagem mais cativante e que mais empatia nos cria nesta história, pela sua nobreza e humanismo (ajudado pela excelente interpretação vocal de Rachel Weisz, vencedora do óscar de Melhor Actriz Secundária em "O Fiel Jardineiro"). Para além desta, também a destacar Jeremy Irons, num registo sóbrio e equilibrado, mas subaproveitado num filme como este, tal como no mau filme do género que fez anos antes deste ("Dungeons & Dragons). Para além destes dois actores, todos os outros estão fracos (como o actor principal, muito ensoso e sem carisma) ou muito maus, como John Malkovitch (actor de qualidade, que outrora já fez grandes filmes) que tem um registo tão exagerado que não é minimamente credível e chega até a ser ridículo nas poucas cenas em que aparece... Sauron, que em "O Senhor dos Anéis" nem presença física tinha, continua a ser mais maléfico, cruel e assustador que este Rei Galbatorix. Enfim, mais um filme do domínio fantástico que, se tivesse sido bem aproveitado enquanto narrativa e personagens, poderia ter dado um épico interessante "próximo" da Trilogia do Anel, mas que acaba por ser uma obra facilmente olvidável, amorfa e desinspirada.
Borat
Não entendo porque é que, para algumas pessoas, este filme em particular não pode ser considerado cinema? De vez em quando sabe bem não nos levarmos tão a sério... No meu caso, que me considero um cinéfilo e verdadeiro amante do cinema, diverti-me imenso e soltei genuínas gargalhadas com as situações criadas e vividas pelo personagem Borat, muito bem interpretado por Sacha Baron Cohen. Há todos os anos muitos outros filmes supostamente cómicos (sobretudo americanos) que não conseguem passar da mediocridade a nível de argumento e gags, porque não inovam. Pelo menos aqui, os responsáveis do filme tiveram uma ideia interessante, de o transformar numa `suposta` reportagem de um repórter de um país para tanta gente pouco conhecido, como o Cazaquistão. O resultado é indiscutivelmente hilariante, pelo contraste entre os pseudo-costumes desse país, com os costumes e modo de vida americano e, claro, pela reacção das pessoas envolvidas (americanos) a comentários e acções do protagonista, alguns deles verdadeiramente incríveis e ultrajantes... Quem gostar de humor negro (110% politicamente incorrecto!), do mais corrosivo e satírico possível, com situações que nunca imaginaríamos ver no quotidiano (bem enquadrado, já que se trata de um pseudo-documentário), muitas vezes roçando o ultrajante e até o escatológico, deve ir ver este filme porque se vai divertir certamente. Quem não gostar deste tipo de humor, não vale a pena sequer entrar na sala, pois arrisca-se a ficar chocado e desconfortável com muitas situações, ou a ficar incomodado com a gargalhada descontrolada do espectador ao lado...
The Departed - Entre Inimigos
O que dizer deste novo filme de Martin Scorsese? Obra-prima com O grande...! Um dos melhores filmes do realizador, sem querer dizer que os seus últimos filmes não são bons. Não, muito pelo contrário. Mas este "The Departed" é magnífico! A todos os níveis: soberba realização, argumento brilhante, interpretações inesquecíveis (Jack Nicholson claro; DiCaprio cada vez melhor; e Mark Whalberg), montagem fabulosa... Claro que é do consenso geral (penso eu) que Scorsese é um dos melhores realizadores de sempre, e por isso espero que seja desta que lhe atribuam o Óscar (há muito merecido!), assim como ao filme. Nicholson pode levar mais um óscar pra casa e DiCaprio podia levar o primeiro, pelo excelente desempenho e grande maturidade que demonstra neste filme. A não perder, de maneira alguma...!
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- Apenas um grande amante de cinema e do audiovisual, para quem esta forma de arte é uma paixão e até um vício...