Wednesday, November 28, 2007

A Outra Margem

Um bom filme português, que consegue ter uma história simples contada com envolvimento, simplicidade e emotividade, o que se deseja em qualquer obra de bom cinema. Coisa rara no cinema português... É um filme de sentimentos, sobre sentimentos e relações humanas, onde é interessante ver como a inocência e simplicidade de alguém que não tem preconceitos morais ou sociais de qualquer espécie, o personagem com trissomia 21 (mongolismo), consegue fazer perceber a alguém que já perdeu a vontade de viver, que a vida merece sempre ser vivida, independentemente do sofrimento que se encontre pelo caminho.
Filipe Duarte está excelente no papel do travesti que perde a razão de viver, numa interpretação de "underacting" muito conseguida, em que um olhar ou um simples gesto valem mais que muitas palavras. Enquanto Tomás Almeida nos consegue arrancar sorrisos com algumas frases e momentos que nos vai dando ao longo do filme, conseguindo também uma interpretação digna de atenção, acrescida do facto de não ser actor profissional. De realçar também a qualidade da fotografia nalgumas cenas.
Um filme português a ver, ao contrário de alguns `objectos` estranhos de dito `cinema português` que se encontram ainda nas salas.

Wednesday, November 7, 2007

Resident Evil 3 - Extinção

Este é o terceiro filme baseado no célebre video-jogo "Resident Evil". Mas ao contrário do primeiro filme que conseguiu tornar-se praticamente um filme de culto dentro do género do cinema terror/fantástico dos últimos anos, este terceiro filme, tal como o segundo, padece de muitos males.
Primeiro, não ter absolutamente terror ou suspense nenhum! Segundo, um argumento muito fraco, cheio de inverosimilhanças (porque mesmo dentro do fantástico as coisas podem e devem fazer sentido), como o planeta Terra ficar um gigantesco deserto em apenas 5 anos, só por causa do vírus! Lá pelo facto da acção se passar toda num deserto (americano, o do estado do Nevada), não era necessário mencionar ou salientar esse facto completamente inútil para os acontecimentos que ocorrem no filme. Aliás, isso parece até que foi mencionado para o espectador não questionar porque não há acção em locais reais e apenas em cenários no deserto, o que terá certamente a ver com a fraca produção do projecto...
Para além disso, muitos e muitos clichés, sem qualquer vislumbre de recriação ou rejuvenescimento do género ou saga (muito pelo contrário). Cabeças de zombie a rebentar, explosões, e um vilão que se torna um super-monstro a combater no final. Até corvos zombie aparecem....! Totalmente previsível.
Esperemos que de facto a trilogia deixe esta história extinta, porque se houver um quarto filme, vai ser de fugir...!
Enfim, um filme dispensável de um realizador que já há muito deu o que tinha a dar, quando realizou o icónico e clássico "Highlander" ("Duelo Imortal") nos anos 80.

Friday, October 19, 2007

Stardust - O Mistério da Estrela Cadente

Este é um filme fantástico, que constitui um bom entretenimento, com uma qualidade acima da média do que temos visto neste género depois da trilogia "O Senhor dos Anéis". Claro que não é um filme com a dimensão épica e dramática da obra-prima de Peter Jackson, mas talvez por isso mesmo, por ser um filme fantástico despretensioso, cujo principal objectivo é contar uma história simples que divirta e nos faça sorrir. Aliás, não é por acaso que os registos que predominam em todo o filme sejam a comédia e a acção, apesar de haver um ou outro momento mais dramático. Não sendo a premissa muito original, o desenvolvimento da narrativa é bem gerido, a apresentação dos personagens e dos espaços (em Inglaterra e principalmente em Stormhold) é muito bem conseguida e dinâmica. Destaque para a excelente e muito divertida sequência em que nos é apresentado o Rei moribundo de Stormhold (interpretado por Peter O`Toole) e os seus filhos pretendentes ao trono (vivos e mortos).
Todos os actores estão bem nos seus respectivos papéis, mas são de destacar a magnífica Michelle Pfeiffer, no papel delicioso de uma bruxa malvada como há muito já não se via no cinema (ela que este ano está mais activa que nunca com 3 filmes estreados nas salas); Claire Danes, interpretando a forma humana da estrela cadente, de forma inteligente e muito natural (uma boa actriz a quem deveriam dar mais oportunidades); e Robert De Niro, que está realmente hilariante no papel do capitão pirata com um segredo muito peculiar, parodiando a sua própria imagem de durão em muitos filmes que o celebrizaram. Charlie Cox no papel do personagem central Tristan não está mal, mas podia estar muito melhor, faltando-lhe de facto mais carisma para nos entusiamar. Isto tudo a juntar a competentes efeitos especiais e caracterização, resulta um filme dinâmico, com uma `boa onda` em que este nos mantém até ao final.

Friday, September 21, 2007

Hairspray

Este filme surpreendeu-me pela positiva... E pelas melhores razões!
Grande elenco de actores que têm andado um pouco longe dos êxitos de bilheteira, como John Travolta (genial na encarnação de um personagem feminino perfeitamente credível e com o qual criamos uma grande empatia), Michelle Pfeiffer (aqui como a má da fita, num papel muito saboroso que lhe deve ter dado grande gozo fazer) e Christopher Walken (que já não via num bom filme há algum tempo). Sem falar nas jovens revelações, sobretudo Nikki Blonsky, a nossa protagonista deste musical, que de facto nos contagia com enormes quantidades de alegria, boa disposição e números musicais com imenso ritmo, muito bem coreografados, e que fogem à regra dos últimos musicais que vimos no cinema, sobretudo "Dreamgirls". Eu saí do cinema com vontade de dançar e ouvir mais músicas desse género. A banda sonora é de facto extraordinária e daquelas que valerá a pena comprar.
O melhor filme musical dos últimos tempos, sobretudo por ser tão descontraído, kitch e ritmado, como é preciso e como não se via há muito neste género cinematográfico.

Monday, July 30, 2007

Transformers

É um filme de entretenimento, que não pretende ser mais do que isso, mas que a meu ver, poderia ter sido bastante melhor se, como já aqui foi referido, outro realizador com mais "substãncia" do que Michael Bay tivesse pegado nele (um Spielberg ou um James Cameron).
O início do filme promete, mas depois a história começa a derrapar e o filme mostra o pouco original que os argumentistas foram e a pobreza da história é flagrante, sendo que a espessura dos personagens é menor que a de uma folha de papel.
Depressa percebemos que estamos perante o filme mais pueril de Michael Bay e que o público-alvo desta fita é de facto o adolescente. Tem cenas e situações pouco verosímeis, mesmo pra uma fita do género (onde se percebe que a coerência do argumento não foi uma das precupações), e clichés que nos remetem para um sem número de fitas onde já vimos essa cena. Mas apesar de tudo consegue entreter e ser divertido em algumas ocasiões (como na sequência dos Transformers no jardim da casa do protagonista), e os efeitos visuais também são de grande qualidade, se bem que algumas sequências de acção estejam um pouco confusas com tanto metal a bater em metal...
Vale sobretudo pelos excelentes e bem conseguidos Transformers digitais e pela espectacularidade das cenas de acção.

Monday, July 23, 2007

Harry Potter e A Ordem da Fénix

Apesar de não ter lido o livro, achei este quinto filme da saga Harry Potter muito superior ao anterior "Harry Potter e O Cálice de Fogo" (pra mim, o mais desinspirado e fraco da série).
Este "Harry Potter e A Ordem da Fénix" consegue ser um filme mais adulto e com uma atmosfera mais sombria e de maior suspense, graças a um argumento coeso e a uma maior atenção dada às personagens e à consistência da narrativa (o que não aconteceu com o filme anterior, onde apenas vimos um desfile de vistosos efeitos especiais). Neste filme também temos efeitos especiais claro (e excelentes, sobretudo na batalha final de feiticeiros no Ministério da Magia), mas utilizados apenas quando necessário, sem se sobreporem à presença dos personagens ou à importância do enredo, mas realçando-os.
A história é mais envolvente, mantendo-nos sempre em suspense sobre o que se irá passar a seguir (o eminente confronto com Lord Voldemort), e ao mesmo tempo vai caracterizando muito bem os novos personagens (excelentes Dolores Umbridge e Luna Lovegood), e desenvolvendo melhor certos aspectos dos já conhecidos. Com uma boa gestão da intriga, o filme não se perde em histórias paralelas pouco importantes, como acontecia nos anteriores (à excepção de "O Prisioneiro de Azkaban", o melhor de todos até agora), centrando a nossa atenção em Harry e na perturbadora omnipresença de Voldemort. Apesar disso, o namoro de Harry podia ter sido melhor explorado, dando a sensação que não houve tempo para mais.Aparte este pormenor, este resulta um filme bastante satisfatório, com um bom enredo, consistente, excelentes interpretações e algumas surpresas.
Para mim, este é um dos melhores filmes da saga, a seguir a "O Prisioneiro de Azkaban". A não perder.

Wednesday, June 13, 2007

Homem-Aranha 3

Este terceiro filme da saga do Homem-Aranha é, de facto, e sobretudo a nível narrativo e dramático, inferior aos 2 filmes anteriores. O filme dispersa-se em demasia por múltiplos personagens, não chegando a dedicar-se a fundo a alguns (que mereciam mais). Mas consegue ser um bom entretenimento e as mais de 2 horas de filme não cansam. A tal ajudam também as espectaculares sequências de acção, com impressionantes efeitos especiais do mais alto nível, sobretudo na criação do Homem-Areia com um elevado grau de perfeição. As melhores interpretações são dadas por Kirsten Dunst, Tobey Maguire e, talvez a mais conseguida neste filme pra mim seja a dada por James Franco como Harry Osborne/Goblin Junior. É a personagem mais carismática do filme, ainda mais que a do próprio "Spydi", e que sofre uma maior transformação a nível de personalidade, ao longo do filme. O tom burlesco da sequência em que Peter Parker se deixa dominar pelo "lado negro" e vai pela rua emanando um ar (supostamente) cool completamente ridículo é que era perfeitamente dispensável, e vem contrastar com o ambiente mais negro que este filme deveria ter tido. Pra mim, essa é a pior parte do filme e uma das responsáveis por este 3º filme não nos conseguir envolver e cativar a nível dramático e de caracterização dos personagens, como o conseguiram em pleno os 2 filmes anteriores. Mesmo assim, o saldo é positivo e merece ser visto no grande écran, claro.

Tuesday, May 29, 2007

Renascimento

Grande filme de animação. Tecnicamente inovador (se bem que a técnica seja semelhente à utilizada em "A Scanner`s Darkly" de Richard Linklater, em que se trabalhou animaticamente sobre as interpretações físicas dos actores de carne e osso), e esteticamente deslumbrante. As imagens que o filme nos dá de uma Paris futurista, no ano 2054, são de facto assombrosas. Para além disso, a história é interessante e envolvente. Sendo um policial negro (numa clara homenagem ao "filme noir" dos anos 40), faz também uma reflexão sobre uma sociedade tecnologicamente avançada, obcecada com os ideais de beleza e de vida eterna. Um impressionante filme de animação para adultos, que gostam de ser transportados para um mundo futurista, mas mais próximo do que pensamos...

Breach - Quebra de Confiança

É de facto uma pena que este filme não tenha tido uma campanha de marketing adequada e merecida em Portugal, já que muita gente vai deixar de ver em sala um dos melhores thrillers dramáticos deste último ano... Sim, porque "Breach" é um grande filme, não só de suspense, mas também e sobretudo de actores e grandes interpretações, suportados por uma narrativa subtil mas muito sólida. A história é simples, e não fosse o argumento estar tão bem escrito, seria mais um filme sobre agentes secretos e espiões. Mas não, este filme acaba por resultar num interessante estudo dos meandros da "política secreta" norte-americana e do comportamento humano, tendo como pano de fundo a história baseada em factos verídicos, da mais grave traição ao governo dos EUA por parte de um dos seus agentes secretos. Os personagens são-nos apresentados logo no início do filme, mas vamo-los conhecendo de forma gradual, e as verdadeiras motivações dos "peões do jogo" aos poucos ao longo de todo o filme. E só esse facto já é uma grande proeza, no meio de imensos "pseudo-thrillers", em que tudo é revelado de imediato ou de uma só vez. Para além disso, os personagens são verdadeiramente aprofundadosos, de forma a compreendermos perfeitamente os seus valores, princípios e personalidades. Os actores não podiam estar melhor, a começar pelo magnífico Chris Cooper, aqui numa interpretação que merecia uma nomeação ao Óscar (pelo menos), e a mostrar que de facto é um dos melhores actores norte-americanos da actualidade (e não só como secundário). Ryan Phillippe mostra também uma vez mais que não é apenas um "menino bonito" e que tem grande valor como actor. E finalmente Laura Linney, que mais uma vez mostra ser uma excelente actriz. Enfim, tudo para fazer deste um grande filme, que nos envolve desde o início ao fim. A descobrir.

Ruptura

É um filme competente, mas que não deslumbra ou surpreende... As interpretações são de grande nível, sobretudo a de Ryan Gosling (que se apresenta como um dos jovens actores mais promissores), e também a de Anthony Hopkins, num registo muito mental e perturbador, mas que se cola um pouco ao que nos deu no fabuloso "Silêncio dos Inocentes" e respectivas sequelas/prequelas. O argumento é promissor na primeira parte do filme, mas depois deixa-se cair mais para o final num desenlace relativamente previsível e com algumas pontas soltas, chegando a ser pouco coerente nalguns momentos. Não chega a ser verdadeiramente perturbador. Mas vale pelas interpretações e por um ou outro "volte face" que nos oferece, antes do final...

A Glória dos Campeões

Uma comédia hilariante, com situações e gags muito bem conseguidos e que de facto têm graça, ao contrário da maioria das comédias americanas que têm surgido ultimamente. A isso muito ajuda o argumento, que apesar de simples está muito bem aproveitado, satirizando o mundo da patinagem artística no gelo e todos os pormenores com ela relacionados, até conseguindo fazer uma piada política muito mordaz e com um delicioso humor negro(com a Coreia do Norte), numa espécie de realidade alternativa exacerbada desse mundo... A realização é dinâmica, e claro, as interpretações são excelentes, sobretudo dos dois principais actores John Eder e Will Ferrel, que neste filme confirma uma vez mais que é de facto o melhor actor cómico do cinema americano do momento (colocando num canto o já cansativo Jim Carrey, que agora se pode dedicar mais a outros géneros). A forma por vezes séria e a sua expressão facial descontraída com que diz os diálogos fazem-no ter ainda mais graça... e quando ele se insinua como um tarado sexual exibicionista então... hilariante! Uma comédia original, com humor físico eficaz e espontãneo, mas também muitas piadas mais subtis, que só os mais atentos poderão captar. A ver, sem dúvida...

Ne le dis à personne- Não Digas A Ninguém

O género thriller policial está de regresso e em grande forma, através desta excelente produção francesa. De facto já há bastante tempo que não via um policial tão eficaz e envolvente, que me prendesse até ao último momento. A narrativa é dinâmica e fluída, o suspense bem gerido e as pistas aparecem no momento certo para, no final, nos ser revelado o desenlace da intriga de forma coerente e verosímil. Para além do argumento, claro que a realização é também ela excelente, e a fotografia e sobretudo montagem muito boas, com planos muito bem executados e movimentos de câmara de grande subtileza e elegância nas cenas de maior intimidade e drama. Os actores estão todos eles óptimos, com destaque óbvio para o actor principal, François Cluzet e também para a sempre sóbria e elegante Kristin Scott Thomas. Um grande thriller francês, que mostra que o cinema europeu continua a mostrar-se forte e com uma qualidade crescente, capaz de superar a linha cada vez mais desinspirada de filmes americanos do género... Agora é aguardar, talvez, pelo melhor thriller policial/dramático do ano "Zodiac" de David Fincher, que deve estar aí a chegar... :-)

Friday, February 23, 2007

The Grudge - A Maldição 2

O primeiro filme do remake japonês "The Grudge - A Maldição" conseguiu assustar-me verdadeiramente, quando o vi no cinema. E por isso o considero um excelente filme no género (um dos melhores destes últimos 3 anos!). Mas esta sequela, de facto, fica muito aquém da frescura e intensidade a nível de suspense e terror psicológico, do primeiro. É mais do mesmo, como já aqui foi dito, e não vem acrecentar nada de novo, nem dar alguma explicação para o facto da maldição não terminar... Dá-nos umas migalhas, mas depois estraga tudo com um final incoerente e exagerado, fazendo assim com que algumas boas cenas e situações que vimos no início do filme percam força. Não há lógica ou sentido no `ataque` dos fantasmas às personagens, fazendo desta forma com que a história perca coerência e deixed de nos `prender` como acontecia no primeiro filme. A ver pelos amantes do género, mas sem grande expectativa...

Hannibal - A Origem do Mal

Fui esta semana ao cinema para ver o último filme sobre o mais famoso serial killer e um dos maiores vilões da história do cinema - Hannibal Lecter. Não ia com grande expectativa em relação a este filme; primeiro porque não li o livro a partir do qual foi adaptado, mas sobretudo porque já é a 5ª adaptação de um romance com este personagem ao cinema. Esperava mais uma obra sensacionalista e comercial, para aproveitar o filão que o personagem criou na 7ª arte, desde "O Silêncio dos Inocentes" de Jonathan Demme até "Dragão Vermelho" de Brett Ratner... Mas este "Hannibal - A Origem do Mal" surpreendeu-me pela positiva. Porque é um filme com uma realização num estilo mais característico do cinema europeu do que de uma grande produção norte-americana, com certeza devido ao facto do realizador ser Peter Weber (que antes nos ofereceu o lindíssimo "Rapariga Com Brinco de Pérola". E ainda bem... Primeiro, porque já não estando presente Anthony Hopkins (o actor que com o seu imenso talento deu vida ao personagem em 3 filmes, tornando-o um dos melhores, senão o melhor e mais carismático vilão do cinema), os argumentistas e realizador tiveram de criar outros pontos e aspectos de interesse que nos captassem a atenção. Neste caso, trata-se de mostrar parte da infância e adolescência (como jovem adulto) do famoso psicopata, revelando a pessoa que era antes da "transformação" e o que esteve por detrás do "despertar" da maldade e do requinte dos seus assassínios, que tanto o caracterizam. E, na minha opinião, apesar de um arranque lento e pouco envolvente, o filme consegue captar a nossa atenção a partir do início da sua adolescência, quando conhece a sua tia Lady Murasaki (excelente Gong Li, num grande registo de subtileza e sensualidade). Aliás, a relação de Hannibal com esta irá motivá-lo e moldar parte da sua personalidade, no que diz respeito à sua formação a nível cultural e não só... Gaspard Ulliel, parece deixar algumas reservas no início, mas com o decorrer da trama, e sobretudo na cena com a sua 1ª vítima, depressa nos convence de que foi uma boa escolha para desempenhar o papel do jovem Hannibal. As cenas mais violentas são arrepiantes e não são aconselháveis a pessoas sensíveis, mas são de uma beleza estética de encher o olho, pela forma criativa com que foram filmadas. De facto, Peter Weber soube captar o surgimento daquela maldade e vontade de vingança de forma crua e visceral, no encenamento das primeiras mortes que Hannibal pratica com um requinte de malvadez e sadismo extremos, que se lhe tornaram característicos. O argumento é bom e coerente, os cenários bem conseguidos, porque bastante realistas. As interpretações são competentes, com destaque óbvio para Gaspard Ulliel, Gong Li e Rhys Ifans (como arqui-inimigo de Hannibal). Um filme a ver, pela sua consistência, pelos ambientes e sabor europeu que nos dá do personagem...

Pecados Íntimos

O filme captura a nossa atenção desde o primeiro momento, pela forma crítica e mordaz com que nos mostra aquele grupo de donas de casa tipicamente suburbanas a `pregar` sobre a moral e os bons costumes, quando ao mesmo tempo cobiçam e salivam ao avistar um atlético e sensual pai estremoso que leva o filho ao mesmo parque infantil, e com o qual são incapazes de comunicar por terem vergonha de admitir que aquele desconhecido as excita sexualmente (denunciando assim a hipocrisia e falsa moral daquelas mulheres casadas e conservadoras). Esta é só a 1ª cena de um magnífico filme sobre o quotidiano das `vidas privadas` (título em português do anterior filme de Todd Field, o realizador) e públicas de um grupo de personagens, soberbamente caracterizadas psicológica e emocionalmente (suas frustrações, medos, fantasias, desejos e esperanças), para o qual o narrador do filme (aparentemente fora da história) contribui de forma indiscutível, ao dar voz aos pensamentos e emoções, muitas vezes expressas apenas fisicamente nos rostos e corpos dos próprios personagens (sobretudo as de Kate Winslet, Patrick Wilson e Jackie Earle Haley, fabulosos nas suas interpretações). Apesar de todo o restante elenco estar também formidável. O argumento vai-nos envolvendo cada vez mais nas vidas desses personagens, até ao clímax, em que todas elas tomam verdadeira consciência dos seus actos ou falta deles, com momentos de redenção e despertar para a vida belíssimos e intensos... Um pequeno grande filme a descobrir e, sem dúvida, o melhor filme `humano` deste início de 2007.

Tuesday, February 13, 2007

Eragon

Não foi com grande expectativa que fui ver este filme, porque também não li o livro. Mas de facto, apesar de entreter e não ser assim tão mau, o filme tem fragilidades muito acentuadas que fazem com que não passe de um simpático filme de TV de Domingo à tarde. Não se perde nada se não se vir no cinema. O que não acontecia com a inesquecível obra-prima de Peter Jackson, "O Senhor dos Anéis", que só vista no grande écran se podia desfrutar daquela história épica e personagens `bigger than life`, como merece. Aliás, a comparação é inevitável, até porque o mundo fantástico deste filme é bastante próximo do de "Eragon". No entanto, este filme está muito longe da qualidade e dimensão épica e espectacular d`"O Senhor dos Anéis", quase não merecendo ser comparado com essa obra-prima. Os motivos são muitos: o argumento pobre e desinspirado, os personagens com os quais não criamos empatia porque estão mal caracterizados psicologicamente (não somos enquadrados de forma envolvente nos seus destinos e motivações), até à realização linear e fraquinha, tentando muitas vezes, como já aqui foi dito, imitar a perícia e talento de um grande realizador como Peter Jackson, mas nunca chegando sequer perto... Os pontos positivos do filme são efeitos especiais competentes (mas que tb nunca chegam a surpreender, porque não é nada que não tenhamos já visto antes e melhor), sobretudo com o dragão Saphira, que talvez seja o personagem mais cativante e que mais empatia nos cria nesta história, pela sua nobreza e humanismo (ajudado pela excelente interpretação vocal de Rachel Weisz, vencedora do óscar de Melhor Actriz Secundária em "O Fiel Jardineiro"). Para além desta, também a destacar Jeremy Irons, num registo sóbrio e equilibrado, mas subaproveitado num filme como este, tal como no mau filme do género que fez anos antes deste ("Dungeons & Dragons). Para além destes dois actores, todos os outros estão fracos (como o actor principal, muito ensoso e sem carisma) ou muito maus, como John Malkovitch (actor de qualidade, que outrora já fez grandes filmes) que tem um registo tão exagerado que não é minimamente credível e chega até a ser ridículo nas poucas cenas em que aparece... Sauron, que em "O Senhor dos Anéis" nem presença física tinha, continua a ser mais maléfico, cruel e assustador que este Rei Galbatorix. Enfim, mais um filme do domínio fantástico que, se tivesse sido bem aproveitado enquanto narrativa e personagens, poderia ter dado um épico interessante "próximo" da Trilogia do Anel, mas que acaba por ser uma obra facilmente olvidável, amorfa e desinspirada.

Borat

Não entendo porque é que, para algumas pessoas, este filme em particular não pode ser considerado cinema? De vez em quando sabe bem não nos levarmos tão a sério... No meu caso, que me considero um cinéfilo e verdadeiro amante do cinema, diverti-me imenso e soltei genuínas gargalhadas com as situações criadas e vividas pelo personagem Borat, muito bem interpretado por Sacha Baron Cohen. Há todos os anos muitos outros filmes supostamente cómicos (sobretudo americanos) que não conseguem passar da mediocridade a nível de argumento e gags, porque não inovam. Pelo menos aqui, os responsáveis do filme tiveram uma ideia interessante, de o transformar numa `suposta` reportagem de um repórter de um país para tanta gente pouco conhecido, como o Cazaquistão. O resultado é indiscutivelmente hilariante, pelo contraste entre os pseudo-costumes desse país, com os costumes e modo de vida americano e, claro, pela reacção das pessoas envolvidas (americanos) a comentários e acções do protagonista, alguns deles verdadeiramente incríveis e ultrajantes... Quem gostar de humor negro (110% politicamente incorrecto!), do mais corrosivo e satírico possível, com situações que nunca imaginaríamos ver no quotidiano (bem enquadrado, já que se trata de um pseudo-documentário), muitas vezes roçando o ultrajante e até o escatológico, deve ir ver este filme porque se vai divertir certamente. Quem não gostar deste tipo de humor, não vale a pena sequer entrar na sala, pois arrisca-se a ficar chocado e desconfortável com muitas situações, ou a ficar incomodado com a gargalhada descontrolada do espectador ao lado...

The Departed - Entre Inimigos

O que dizer deste novo filme de Martin Scorsese? Obra-prima com O grande...! Um dos melhores filmes do realizador, sem querer dizer que os seus últimos filmes não são bons. Não, muito pelo contrário. Mas este "The Departed" é magnífico! A todos os níveis: soberba realização, argumento brilhante, interpretações inesquecíveis (Jack Nicholson claro; DiCaprio cada vez melhor; e Mark Whalberg), montagem fabulosa... Claro que é do consenso geral (penso eu) que Scorsese é um dos melhores realizadores de sempre, e por isso espero que seja desta que lhe atribuam o Óscar (há muito merecido!), assim como ao filme. Nicholson pode levar mais um óscar pra casa e DiCaprio podia levar o primeiro, pelo excelente desempenho e grande maturidade que demonstra neste filme. A não perder, de maneira alguma...!

Monday, January 22, 2007

Blade Runner - Perigo Iminente (Director's Cut)

“Blade Runner – Perigo Iminente” (Blade Runner no original) estreou em 1982 nas salas de cinema de todo o mundo e teve algum êxito nas bilheteiras. No entanto, seria o passar do tempo que viria a transformar este filme numa obra cinematográfica de culto, e numa referência dentro do género Ficção Científica/ Fantástico.
O argumento do filme baseia-se no romance com o título “Do Androids Dream of Electric Sheep?” de Phillip K. Dick (1928 – 1982), um dos mais célebres autores da literatura de ficção científica do séc. XX, responsável também por outras obras publicadas sob a forma de contos, que deram origem a outros filmes de relevo no género da ficção científica, tais como “Desafio Total” (Total Recall – Paul Verhoeven, 1990) e “Relatório Minoritário” (Minority Report – Steven Spielberg, 2002).
A acção passa-se na cidade de Los Angeles em 2019. A Tyrell Corporation é uma mega-empresa, na vanguarda da ciência e da tecnologia, que criou uma “raça” de humanóides, andróides idênticos em tudo aos seres humanos, conhecidos como “Replicantes”. Os andróides do modelo Nexus 6 eram fisicamente mais fortes e ágeis, e tão inteligentes quanto os engenheiros genéticos que os criaram. Por isso mesmo, foram utilizados durante muitos anos como escravos na exploração e colonização de outros planetas. Mas depois de uma revolta numa colónia extraterrestre, os modelos Nexus 6 foram declarados ilegais e condenados à morte no planeta Terra. As Unidades Blade Runner, brigadas especiais da polícia, foram então criadas para eliminar qualquer “Replicante” que detectassem…
Harrison Ford interpreta o personagem Rick Deckard, um desses agentes da brigada Blade Runner que se quer retirar, mas que fica encarregue de descobrir e matar um grupo de “Replicantes” que se tornaram criminosos. Após a neutralização de um agente Blade Runner na Tyrell Corporation, Deckard é enviado à empresa e conhece Rachael, uma andróide Nexus 6 que acredita ser humana, desconhecendo a sua natureza artificial.
Os modelos Nexus 6 foram criados para não sentirem emoções próprias dos humanos, como afecto, ódio, medo ou inveja. Mas algum tempo após a sua criação, os engenheiros aperceberam-se que tal começava a suceder. Para evitar tal, conceberam-nos com um prazo de vida de apenas 4 anos, como dispositivo de segurança. Mas Deckard fica a saber que Rachael é um modelo experimental, que os engenheiros criaram para iniciar a produção de “Replicantes” tão humanos que não se consigam distinguir dos verdadeiros humanos.
Com o decorrer do filme, vamos acompanhando a missão de Deckard para descobrir os “Replicantes” revoltados e tentar perceber o que os motiva, ao mesmo tempo que vai conhecendo melhor Rachael e acaba por se apaixonar por esta.
“Blade Runner” é um verdadeiro portento visual, misturando habilmente cenários reais repletos de néons e uma arquitectura neo-barroca (entre o gótico e o futurista), com excelentes efeitos visuais nas cenas aéreas da cidade à noite e na presença sempre constante e opressiva da publicidade das grandes corporações empresariais do futuro.
Este aspecto visual altamente estilizado viria a servir de referência e a influenciar muitos outros filmes do género, com especial relevo para “O Quinto Elemento” (Luc Besson, 1997) ou para o magnífico “A.I. – Inteligência Artificial” (Steven Spielberg, 2001).
Aliás, a direcção artística de David Snyder e a magnífica fotografia de Jordan Cronenweth imprimem ao filme um inconfundível tom negro, típico do policial negro dos anos 40, que se adequa na perfeição aos personagens e à história. Todo o filme se passa durante a noite, à excepção de uma cena inicial, em que vemos um belíssimo plano de um ofuscado pôr-do-sol a partir do interior da sala/gabinete do director da Tyrell Corporation onde Deckard conhece Rachael.
O argumento escrito por Hampton Fancher e David Peoples é de uma fluidez narrativa e subtileza, em que todos os diálogos estão próximos da perfeição, e no qual na maioria das vezes, de facto, uma imagem vale mais do que mil palavras.
Todos os actores têm sólidas interpretações, com destaque óbvio para Harrison Ford no papel de um agente policial competente e determinado, mas cansado da sua profissão e só, que acaba por descobrir o amor quando e onde menos espera. Sean Young é Rachael, a pacífica e inteligente andróide que acaba por perceber o que é, e se apaixona por Deckard, num registo de “underacting” de uma subtileza e beleza inesquecíveis. Finalmente, o actor holandês Rutger Hauer que interpreta o papel de Roy Batty, o letal andróide que lidera o grupo de revoltados e que vive obcecado com a sua própria mortalidade eminente, procurando por isso o seu criador, para conseguir que a sua existência seja prolongada. O duelo final entre Deckard e Roy é o clímax do filme, onde o diálogo entre ambos é excelente, sobretudo graças à magnífica interpretação de Rutger Hauer.
Claro que todos estes elementos se combinam na perfeição sob a soberba realização e direcção de actores de Ridley Scott, que confirmou a sua qualidade e mestria como realizador, após o enorme êxito de bilheteiras e também de crítica que tinha sido o seu anterior filme, a obra de culto “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979).
Finalmente, a inconfundível banda sonora original composta e criada por Vangelis especificamente para este filme, e que viria a ser “som de marca”, neste caso, desta obra irrepreensível, que é e será sempre sem dúvida alguma um objecto cinematográfico de culto e um filme indispensável para qualquer amante de cinema que se preze.

Thursday, January 18, 2007

O Ilusionista

Vale a pena ir ver este filme. A história é interessante e as interpretações de Edward Norton e Paul Giamatti sólidas e convincentes. Jessica Biel consegue neste filme talvez a personagem mais interessante da sua curta e insípida carreira como actriz. Mas o que mais se destaca neste "O Ilusionista" é, sem dúvida, a magnífica recriação de época, neste caso a belíssima Viena de 1900. Tudo, desde a direcção artística, passando pelo guarda-roupa e a excelente fotografia, contribuem também para nos ambientar nesta atmosfera de conto, entre a fábula e a realidade, exibindo um estilo gótico-romanesco muito sedutor. Os números do ilusionista (Edward Norton) conseguem surpreender, apesar de sabermos que estamos perante uma obra cinematográfica de ficção, e não num teatro real, isto graças à utilização acertada dos efeitos especiais apenas nas cenas onde são necessários... E mostra que para se fazer um belo filme de época não são necessários orçamentos astronómicos. Não será uma obra-prima, mas no conjunto este resulta ser um interessante e sedutor filme, que se destaca da maioria dos filmes medíocres que nos chegam às catadupas às salas portuguesas, e que por isso merece ser visionado.

Nos Bastidores da Rádio

Um filme que trás a nostalgia dos tempos em que a rádio era o meio de comunicação e entretenimento caseiro, que toda a gente ouvia com dedicação e apreço... Já não é propriamente do meu tempo, que cresci já nos tempos aúreos da tv, mas este novo filme de Robert Altman recria tão bem esse espírito de entretenimento e dedicação à arte radiofónica, que fiquei de facto com vontade de `regressar atrás no tempo` para o poder apreciar na rádio. Ainda mais numa comunidade do interior dos Estados Unidos, onde parece que o tempo parou. Este filme coral de Altman mostra que o mestre ainda não perdeu o toque nem a marca autoral que o caracterizam. Mas neste caso, fá-lo com uma contemplação e reflexão belíssima e poética sobre a celebração da vida, mas sobretudo do fim das coisas, da morte (personificada por uma radiosa Virginia Madsen). O filme está pejado de piadas engraçadíssimas e que nos fazem soltar um sorriso ou gargalhada espontãneas. O seu ambiente teatral também nos transporta para aquele teatro/estúdio onde decorre a acção, e nos faz ter carinho e admiração por aqueles artistas... Um filme que sabe bem ver, por sair da `onda publicitária e comercial` dos grandes estúdios da maioria das películas norte-americanas.

Marie Antoinette

Este filme de Sofia Coppola (o seu terceiro como realizadora) é um belo e sincero retrato sobre uma menina/mulher que é largada num mundo superficial, fútil e pedante (a corte francesa do final do séc. XVIII); que consegue de algum modo adaptar-se, mas nunca completamente, e que tem um fim trágico que não merecia. É certo que é uma obra magnífica a nível visual (guarda-roupa, direcção artística e sobretudo fotografia), mas não pretende ser um retrato histórico rigoroso e clássico, no sentido do termo. E a peculiar (e boa) banda sonora, a introdução de elementos contemporãneos, como os ténis e a cena da dança no baile de máscaras mostram bem essa intenção. O que interessa neste filme é mesmo a personagem principal, Marie Antoinette, e o que foi a viagem daquela desde a sua Áustria natal até à corte francesa e ao título de rainha de França. O que teve de suportar, desde os mexericos da corte; à carência de afectos por parte do homem de quem se tentou aproximar (o rei, seu marido); até ao sentimento de solidão apesar de sempre rodeada de pessoas ou alguns amigos, isto tudo tendo em conta a sua tenra idade. A actriz Kirsten Dunst tem uma notável interpretação, que merece pelo menos uma nomeação ao óscar de melhor actriz... Este filme mostra também que Sofia Coppola foi de uma grande coragem e sensibilidade ao abordar uma personagem histórica deste calibre, de uma forma original e fresca, sem cedências de qualquer tipo, mostrando apenas a sua visão.

A Dália Negra


O último filme de Brian De Palma é, sem dúvida alguma, uma excelente homenagem e, ao mesmo tempo, um objecto cinematográfico que recorda o clássico `film noir` (típico dos anos 40) com uma componente estética espessa e magnífica, não só a nível de fotografia e direcção artística, mas sobretudo através da soberba realização. Os planos abertos, os ângulos e movimentos de câmara, que nos remetem para o estilo próprio deste realizador, sobretudo em filmes como `Os Intocáveis`, ou o clássico `Vestida Para Matar`. A atmosfera densa e negra que percorre o filme acaba por nos atingir, mesmo sem nos apercebermos... Depois de sair da sala, as imagens tão bem filmadas por De Palma ecoam na nossa cabeça, como flashes de uma história horrenda de crime macabro e desprezo pelo ser humano. Sim, porque (quase) todos os personagens desta história têm enterrados obscuros segredos, dos quais nos vamos apercebendo com o decorrer da acção. O casting, na minha opinião, foi bem feito... Josh Hartnett tem uma das interpretações mais interessantes da sua carreira; Aaron Heckhart também é competente, mas nunca surpreende; Scarlett Johansson não está mal, mas esperava bem melhor... a personagem que lhe deram talvez não se prestasse a mais (a sua personagem em `Match Point` é bastante mais marcante). Quem de facto está surpreendente são Hillary Swank, numa femme fatale inesquecível num papel em que ainda a não tínhamos visto, e Mia Kirschner no papel da vítima do caso à volta do qual tudo se desenrola, que vem mostrar também no grande écran (assim como na tv com a excelente série `A Letra L`), como consegue dar vida e densidade a personagens sofridas e perdidas no seu próprio mundo... magnífica! Um bom filme, cujo único senão talvez seja, tudo se precipitar para um final muito rápido e um pouco confuso.

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Porto, Norte, Portugal
Apenas um grande amante de cinema e do audiovisual, para quem esta forma de arte é uma paixão e até um vício...