Tuesday, May 29, 2007
Renascimento
Grande filme de animação. Tecnicamente inovador (se bem que a técnica seja semelhente à utilizada em "A Scanner`s Darkly" de Richard Linklater, em que se trabalhou animaticamente sobre as interpretações físicas dos actores de carne e osso), e esteticamente deslumbrante. As imagens que o filme nos dá de uma Paris futurista, no ano 2054, são de facto assombrosas. Para além disso, a história é interessante e envolvente. Sendo um policial negro (numa clara homenagem ao "filme noir" dos anos 40), faz também uma reflexão sobre uma sociedade tecnologicamente avançada, obcecada com os ideais de beleza e de vida eterna. Um impressionante filme de animação para adultos, que gostam de ser transportados para um mundo futurista, mas mais próximo do que pensamos...
Breach - Quebra de Confiança
É de facto uma pena que este filme não tenha tido uma campanha de marketing adequada e merecida em Portugal, já que muita gente vai deixar de ver em sala um dos melhores thrillers dramáticos deste último ano... Sim, porque "Breach" é um grande filme, não só de suspense, mas também e sobretudo de actores e grandes interpretações, suportados por uma narrativa subtil mas muito sólida. A história é simples, e não fosse o argumento estar tão bem escrito, seria mais um filme sobre agentes secretos e espiões. Mas não, este filme acaba por resultar num interessante estudo dos meandros da "política secreta" norte-americana e do comportamento humano, tendo como pano de fundo a história baseada em factos verídicos, da mais grave traição ao governo dos EUA por parte de um dos seus agentes secretos. Os personagens são-nos apresentados logo no início do filme, mas vamo-los conhecendo de forma gradual, e as verdadeiras motivações dos "peões do jogo" aos poucos ao longo de todo o filme. E só esse facto já é uma grande proeza, no meio de imensos "pseudo-thrillers", em que tudo é revelado de imediato ou de uma só vez. Para além disso, os personagens são verdadeiramente aprofundadosos, de forma a compreendermos perfeitamente os seus valores, princípios e personalidades. Os actores não podiam estar melhor, a começar pelo magnífico Chris Cooper, aqui numa interpretação que merecia uma nomeação ao Óscar (pelo menos), e a mostrar que de facto é um dos melhores actores norte-americanos da actualidade (e não só como secundário). Ryan Phillippe mostra também uma vez mais que não é apenas um "menino bonito" e que tem grande valor como actor. E finalmente Laura Linney, que mais uma vez mostra ser uma excelente actriz. Enfim, tudo para fazer deste um grande filme, que nos envolve desde o início ao fim. A descobrir.
Ruptura
É um filme competente, mas que não deslumbra ou surpreende... As interpretações são de grande nível, sobretudo a de Ryan Gosling (que se apresenta como um dos jovens actores mais promissores), e também a de Anthony Hopkins, num registo muito mental e perturbador, mas que se cola um pouco ao que nos deu no fabuloso "Silêncio dos Inocentes" e respectivas sequelas/prequelas. O argumento é promissor na primeira parte do filme, mas depois deixa-se cair mais para o final num desenlace relativamente previsível e com algumas pontas soltas, chegando a ser pouco coerente nalguns momentos. Não chega a ser verdadeiramente perturbador. Mas vale pelas interpretações e por um ou outro "volte face" que nos oferece, antes do final...
A Glória dos Campeões
Uma comédia hilariante, com situações e gags muito bem conseguidos e que de facto têm graça, ao contrário da maioria das comédias americanas que têm surgido ultimamente. A isso muito ajuda o argumento, que apesar de simples está muito bem aproveitado, satirizando o mundo da patinagem artística no gelo e todos os pormenores com ela relacionados, até conseguindo fazer uma piada política muito mordaz e com um delicioso humor negro(com a Coreia do Norte), numa espécie de realidade alternativa exacerbada desse mundo... A realização é dinâmica, e claro, as interpretações são excelentes, sobretudo dos dois principais actores John Eder e Will Ferrel, que neste filme confirma uma vez mais que é de facto o melhor actor cómico do cinema americano do momento (colocando num canto o já cansativo Jim Carrey, que agora se pode dedicar mais a outros géneros). A forma por vezes séria e a sua expressão facial descontraída com que diz os diálogos fazem-no ter ainda mais graça... e quando ele se insinua como um tarado sexual exibicionista então... hilariante! Uma comédia original, com humor físico eficaz e espontãneo, mas também muitas piadas mais subtis, que só os mais atentos poderão captar. A ver, sem dúvida...
Ne le dis à personne- Não Digas A Ninguém
O género thriller policial está de regresso e em grande forma, através desta excelente produção francesa. De facto já há bastante tempo que não via um policial tão eficaz e envolvente, que me prendesse até ao último momento. A narrativa é dinâmica e fluída, o suspense bem gerido e as pistas aparecem no momento certo para, no final, nos ser revelado o desenlace da intriga de forma coerente e verosímil. Para além do argumento, claro que a realização é também ela excelente, e a fotografia e sobretudo montagem muito boas, com planos muito bem executados e movimentos de câmara de grande subtileza e elegância nas cenas de maior intimidade e drama. Os actores estão todos eles óptimos, com destaque óbvio para o actor principal, François Cluzet e também para a sempre sóbria e elegante Kristin Scott Thomas. Um grande thriller francês, que mostra que o cinema europeu continua a mostrar-se forte e com uma qualidade crescente, capaz de superar a linha cada vez mais desinspirada de filmes americanos do género... Agora é aguardar, talvez, pelo melhor thriller policial/dramático do ano "Zodiac" de David Fincher, que deve estar aí a chegar... :-)
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- Apenas um grande amante de cinema e do audiovisual, para quem esta forma de arte é uma paixão e até um vício...