Thursday, January 18, 2007

Marie Antoinette

Este filme de Sofia Coppola (o seu terceiro como realizadora) é um belo e sincero retrato sobre uma menina/mulher que é largada num mundo superficial, fútil e pedante (a corte francesa do final do séc. XVIII); que consegue de algum modo adaptar-se, mas nunca completamente, e que tem um fim trágico que não merecia. É certo que é uma obra magnífica a nível visual (guarda-roupa, direcção artística e sobretudo fotografia), mas não pretende ser um retrato histórico rigoroso e clássico, no sentido do termo. E a peculiar (e boa) banda sonora, a introdução de elementos contemporãneos, como os ténis e a cena da dança no baile de máscaras mostram bem essa intenção. O que interessa neste filme é mesmo a personagem principal, Marie Antoinette, e o que foi a viagem daquela desde a sua Áustria natal até à corte francesa e ao título de rainha de França. O que teve de suportar, desde os mexericos da corte; à carência de afectos por parte do homem de quem se tentou aproximar (o rei, seu marido); até ao sentimento de solidão apesar de sempre rodeada de pessoas ou alguns amigos, isto tudo tendo em conta a sua tenra idade. A actriz Kirsten Dunst tem uma notável interpretação, que merece pelo menos uma nomeação ao óscar de melhor actriz... Este filme mostra também que Sofia Coppola foi de uma grande coragem e sensibilidade ao abordar uma personagem histórica deste calibre, de uma forma original e fresca, sem cedências de qualquer tipo, mostrando apenas a sua visão.

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Porto, Norte, Portugal
Apenas um grande amante de cinema e do audiovisual, para quem esta forma de arte é uma paixão e até um vício...