Monday, January 22, 2007

Blade Runner - Perigo Iminente (Director's Cut)

“Blade Runner – Perigo Iminente” (Blade Runner no original) estreou em 1982 nas salas de cinema de todo o mundo e teve algum êxito nas bilheteiras. No entanto, seria o passar do tempo que viria a transformar este filme numa obra cinematográfica de culto, e numa referência dentro do género Ficção Científica/ Fantástico.
O argumento do filme baseia-se no romance com o título “Do Androids Dream of Electric Sheep?” de Phillip K. Dick (1928 – 1982), um dos mais célebres autores da literatura de ficção científica do séc. XX, responsável também por outras obras publicadas sob a forma de contos, que deram origem a outros filmes de relevo no género da ficção científica, tais como “Desafio Total” (Total Recall – Paul Verhoeven, 1990) e “Relatório Minoritário” (Minority Report – Steven Spielberg, 2002).
A acção passa-se na cidade de Los Angeles em 2019. A Tyrell Corporation é uma mega-empresa, na vanguarda da ciência e da tecnologia, que criou uma “raça” de humanóides, andróides idênticos em tudo aos seres humanos, conhecidos como “Replicantes”. Os andróides do modelo Nexus 6 eram fisicamente mais fortes e ágeis, e tão inteligentes quanto os engenheiros genéticos que os criaram. Por isso mesmo, foram utilizados durante muitos anos como escravos na exploração e colonização de outros planetas. Mas depois de uma revolta numa colónia extraterrestre, os modelos Nexus 6 foram declarados ilegais e condenados à morte no planeta Terra. As Unidades Blade Runner, brigadas especiais da polícia, foram então criadas para eliminar qualquer “Replicante” que detectassem…
Harrison Ford interpreta o personagem Rick Deckard, um desses agentes da brigada Blade Runner que se quer retirar, mas que fica encarregue de descobrir e matar um grupo de “Replicantes” que se tornaram criminosos. Após a neutralização de um agente Blade Runner na Tyrell Corporation, Deckard é enviado à empresa e conhece Rachael, uma andróide Nexus 6 que acredita ser humana, desconhecendo a sua natureza artificial.
Os modelos Nexus 6 foram criados para não sentirem emoções próprias dos humanos, como afecto, ódio, medo ou inveja. Mas algum tempo após a sua criação, os engenheiros aperceberam-se que tal começava a suceder. Para evitar tal, conceberam-nos com um prazo de vida de apenas 4 anos, como dispositivo de segurança. Mas Deckard fica a saber que Rachael é um modelo experimental, que os engenheiros criaram para iniciar a produção de “Replicantes” tão humanos que não se consigam distinguir dos verdadeiros humanos.
Com o decorrer do filme, vamos acompanhando a missão de Deckard para descobrir os “Replicantes” revoltados e tentar perceber o que os motiva, ao mesmo tempo que vai conhecendo melhor Rachael e acaba por se apaixonar por esta.
“Blade Runner” é um verdadeiro portento visual, misturando habilmente cenários reais repletos de néons e uma arquitectura neo-barroca (entre o gótico e o futurista), com excelentes efeitos visuais nas cenas aéreas da cidade à noite e na presença sempre constante e opressiva da publicidade das grandes corporações empresariais do futuro.
Este aspecto visual altamente estilizado viria a servir de referência e a influenciar muitos outros filmes do género, com especial relevo para “O Quinto Elemento” (Luc Besson, 1997) ou para o magnífico “A.I. – Inteligência Artificial” (Steven Spielberg, 2001).
Aliás, a direcção artística de David Snyder e a magnífica fotografia de Jordan Cronenweth imprimem ao filme um inconfundível tom negro, típico do policial negro dos anos 40, que se adequa na perfeição aos personagens e à história. Todo o filme se passa durante a noite, à excepção de uma cena inicial, em que vemos um belíssimo plano de um ofuscado pôr-do-sol a partir do interior da sala/gabinete do director da Tyrell Corporation onde Deckard conhece Rachael.
O argumento escrito por Hampton Fancher e David Peoples é de uma fluidez narrativa e subtileza, em que todos os diálogos estão próximos da perfeição, e no qual na maioria das vezes, de facto, uma imagem vale mais do que mil palavras.
Todos os actores têm sólidas interpretações, com destaque óbvio para Harrison Ford no papel de um agente policial competente e determinado, mas cansado da sua profissão e só, que acaba por descobrir o amor quando e onde menos espera. Sean Young é Rachael, a pacífica e inteligente andróide que acaba por perceber o que é, e se apaixona por Deckard, num registo de “underacting” de uma subtileza e beleza inesquecíveis. Finalmente, o actor holandês Rutger Hauer que interpreta o papel de Roy Batty, o letal andróide que lidera o grupo de revoltados e que vive obcecado com a sua própria mortalidade eminente, procurando por isso o seu criador, para conseguir que a sua existência seja prolongada. O duelo final entre Deckard e Roy é o clímax do filme, onde o diálogo entre ambos é excelente, sobretudo graças à magnífica interpretação de Rutger Hauer.
Claro que todos estes elementos se combinam na perfeição sob a soberba realização e direcção de actores de Ridley Scott, que confirmou a sua qualidade e mestria como realizador, após o enorme êxito de bilheteiras e também de crítica que tinha sido o seu anterior filme, a obra de culto “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979).
Finalmente, a inconfundível banda sonora original composta e criada por Vangelis especificamente para este filme, e que viria a ser “som de marca”, neste caso, desta obra irrepreensível, que é e será sempre sem dúvida alguma um objecto cinematográfico de culto e um filme indispensável para qualquer amante de cinema que se preze.

1 comment:

Unknown said...

Este é um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. Vale bem a pena!
5 estrelas

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Porto, Norte, Portugal
Apenas um grande amante de cinema e do audiovisual, para quem esta forma de arte é uma paixão e até um vício...